Fotógrafo André Hauck presta tributo ao espaço em exposição

Trabalhos exploram o vazio, a erosão e os impasses das áreas urbanizadas

Walter Sebastião

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A exposição Arquitetura em declínio está em cartaz na galeria da Copasa, no Santo Antônio

Um fotógrafo que merece atenção: André Hauck. Nos últimos quatro anos, fez várias exposições, apresentando contundente conjunto sobre a paisagem urbana vista a partir da observação de lugares abandonados. Chama a atenção a riqueza de questões: o artista aborda de temas estéticos à reflexão sobre o registro fotográfico. Aos 32 anos, expõe trabalhos em grandes formatos na galeria da Copasa.

Arquitetura em declínio reúne obras que, valendo-se de aparente intenção documental, investigam a erosão das utopias modernistas. André explica que pretende trazer inquietação, questionamento de aspectos que marcam a fotografia tradicional, como objetividade, foco e profundidade de campo.

O artista observa que suas fotos trazem visão monumental e locais desprovidos de valor. “A fotografia cria relação meio mágica com o real. Estou usando essa empatia para estimular questionamentos sobre o desejo humano de organizar o caótico com uma construção”, afirma. A mesma mirada que a foto de arquitetura usa para mostrar grandes realizações ou o luxo (como nas revistas de decoração) é empregada por André para flagrar erosões, vazios e resíduos dos processos de urbanização. Ele frisa que tem procurado fazê-lo de forma objetiva. “Há tanta entropia nos locais fotografados que só isso já cria subjetividade”, observa.

Pedro II

As fotos expostas na Copasa trazem fábricas abandonadas e imóveis rejeitados devido à expansão da Avenida Pedro II, “que já nem existem mais”. Na origem da série, com quase meia centena de imagens, está a constatação de um impasse. Encantado com fotografias do casal alemão Bernard e Hilla Becher que viu na Bienal de 2002, o artista exercitou estética semelhante – limpa, direta e neutra. “Descobri que não existe isso no Brasil. Aqui, um prédio é construído e, em dois anos, já tem vazamentos, rachaduras e manchas. Comecei a fotografar o deteriorado, mas sem perder a objetividade. Respeito os lugares, o espaço como personagem. Dou mais valor às coisas que à minha subjetividade”, justifica. Ele redirecionou sua busca com moderação no uso de cores. Em série ainda inédita, abandona-as em favor do preto e branco.

Outros movimentos da pesquisa, conta André Hauck, foram o deslocamento do interior para o exterior das construções, dos espaços para os objetos. Depois de limpeza (“sem identidade”) voltada para os jogos de luz e sombra, que acabaram fazendo com que esbarre em heranças barrocas . “Continuo trabalhando com contradições, mas reduzindo a expressividade”, conclui.

 

ARQUITETURA EM DECLÍNIO

Fotografias de André Hauck. Galeria de Arte da Copasa, Rua Mar de Espanha, 525, Santo Antônio, (31) 3250-1506. Diariamente, das 8h às 18h. Até 17 de abril.

Conheça um pouco mais do trabalho do fotógrafo nas suas exposições anteriores Desertos Urbanos e Rastros.

Consulte também na Biblioteca da EBA os catálogos das exposições do fotógrafo.

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