Em destaque, LIVRO:

O livro de Zénon Piéters

Patricia Franca-Huchet, artista e professora da Escola de Belas Artes da UFMG, apresenta sua obra intitulada  “O livro de Zénon Piéters”. Trata-se de um livro de artista.

Zénon Piéters, heterônimo da artista, é um fotógrafo melancólico amador e livreiro que “possui o olhar do pintor, percebe que a realidade das coisas podem ser intensamente apreendidas através de uma transposição sensorial e espiritual sobre a frontalidade (o papel da fotografia e a tela da pintura)”, segundo a própria artista.

A autora escreve um pouco sobre o livro:

“Este livro é um trabalho que envolve um canteiro literário, a figura do heterônimo, uma longa pesquisa, apresentações de imagens, a ficção e a invenção de si mesmo. Não me sinto a autora, mas a compiladora — ou a sonhadora — de uma obra imaginária que é o relêvo de diversos horizontes que afloraram como imagens e textos. (…)

A pintura é uma articulação entre algo cerebral e a matéria e isso é de uma grande sensualidade. Esse tecido entre algo psíquico que atravessa a matéria e que vai surgir na superfície do quadro é um ponto muito avançado, muito sofisticado. Poder-se-ia apontar uma grande força que se encontra no justo desequilíbrio. Zénon parece procurá-lo: o justo desequilíbrio que é a essência de nossa capacidade de ser, ter e estar presente. (…)

A mise-en-scène e a teatralidade da imagem fotográfica e pictural é o que interessa-lhe [Zénon] em seu modo psíquico e mental de lidar com a imagem. É constante leitor de poesia e literatura; isso ajudou-lhe a trabalhar com a realidade. Essa dimensão, nós a encontramos particularmente em sua ambição de prolongar a pintura na imagem fotográfica e lhe dar uma espessura de sentido, até mesmo simbólica — em uma iconografia no presente — mas não sem constatar o quão impossível é o movimento de doação da pintura à câmara escura. Zénon acredita que fazemos passos falsos quando julgamos poder esquecer a grande tradição da arte. Nada de rupturas para Zénon que crê no movimento de abertura oferecido pelos limites dela no tempo. (…)”

Acesse: O espectador fotógrafo: Zénon Piéters

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