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184 mil imagens de obras de arte para download pelo Museu Rijksmuseum/Europa, National Gallery of Art/Washington e pelo Museu Getty

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O Rijksmuseum, um dos maiores museus da Europa, dedicado à artes e história, disponibilizou para apreciação on-line ou download, parte de seu gigantesco acervo. São aproximadamente 155 mil obras.

 Durante a era de ouro das navegações, período da História compreendido entre 1584 e 1702, quando navios holandeses dominavam as rotas mercantes do globo e o país se transformou na primeira potência capitalista do ocidente, a crescente burguesia demandava uma vasta produção de retratos e pinturas, florescendo o comércio, a ciência e, sobretudo, as artes. Poucos países tiveram tamanha produção artística e com tal qualidade como a Holanda desse tempo.

 A coleção de pinturas do Rijksmuseum inclui trabalhos dos principais mestres do século 17. Nomes como Jacob van Ruysdael, Frans Hals, Fra Angelico, Vermeer e Rembrandt fazem parte do acervo. Obras como “A Noiva Judia” (1665), “A Ronda Noturna” (1642), “De Staalmeesters” (1662), de Rembrandt; “A Leiteira” (1660), de Johannes Vermeer; “Paisagem de Inverno” (1608), de Hendrick Avercamp; “Retrato do Casal Isaac Abrahamsz Massa e Beatrix van der Laen” (1622), de Frans Hals; e “Retrato de Adolf en Catharina Croeser” (1655), de Jan Steen, estão disponíveis para download gratuito.

Os usuários podem explorar toda a coleção por artista, tema, estilo ou semelhança. Todas as imagens estão disponíveis em alta resolução. Para fazer o download é necessário um registro simples ou logar-se usando a conta do Facebook. Em seguida, basta clicar sobre a opção (download image) localizada abaixo da obra selecionada e mandar salvar.

Clique no link para acessar: 155 mil imagens de obras de arte em alta resolução para download gratuito

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Já a National Gallery of Art (Galeria de Arte Nacional), localizada em Washington, Estados Unidos, em parceria com a fundação Samuel H. Kress, disponibilizou para download gratuito 25 mil imagens de obras de arte em alta resolução. As imagens estão divididas por categorias ou podem ser consultadas por  meio da busca pelo nome do autor ou título da obra.

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Artista e obras famosas como “The Japanese Footbridge” e “Woman with a Parasol”, de Claude Monet,  “Ginevra de’ Benci”, de Leonardo da Vinci, “The Dance Lesson”, de Edgar Degas,  “Self-Portrait” e  “Gogh Roses”, de Vincent van Gogh, “The Alba Madonna”, de Raphael, “A Girl with a Watering Can”, de Auguste Renoir,  “The Railway”, de Edouard Manet , “Children Playing on the Beach”, de Mary Cassatt,  “Girl with the Red Hat”, de Johannes Vermeer, “At the Water’s Edge”, de Paul Cézanne,  “The Adoration of the Magi”, de Fra Angelico e Filippo Lippi, “Portrait of a Lady”, de Rogier van der Weyden,  “Portrait of Lorenzo di Credi”, de Pietro Perugino, e “The Emperor Napoleon in His Study at the Tuileries”, de Jacques-Louis David, fazem parte do acervo.

Para fazer o download basta clicar sobre uma das setas localizadas abaixo das imagem desejada e mandar salvar. Existem duas opções de download, em média resolução (1200 pixels — uma seta), ou em alta resolução (3000 mil pixels — duas setas). É requerido o preenchimento de um cadastro para se fazer o download.

Clique no link para acessar:  25 mil imagens de obras de arte em alta resolução para download gratuito

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O Museu Getty, em parceria com o Walters Art Museum, National Gallery of Art, Yale University, Los Angeles County Museum of Art e Harvard University, disponibilizou 4700 fotografias artísticas e históricas de alta resolução para download gratuito. As imagens poderão ser utilizadas inclusive comercialmente, desde que citada a fonte.

Além de fotografias, também estão disponíveis manuscritos, pinturas, esculturas  e desenhos. As imagens estão divididas por categorias ou podem ser consultadas por meio da busca pelo nome do autor, título ou país de origem.

Fotógrafos e artistas internacionalmente reconhecidos como Louis Fleckenstein, Walker Evans, August Sander,  Carleton Emmons Watkins, Felice Beato, Edward Weston, Ogawa Kazumasa, Jacob Byerly, Gaspard Félix Tournachon, Warren Lynch, Louis Désiré Blanquart-Evrard, Peter Henry Emerson, Roger  Fenton, Bob Seidemann, Julia Margaret Cameron, Eugène Atget, Robert Mapplethorpe, William Henry Fox Talbot, Man Ray, Irving Penn, Eadweard J. Muybridge, William Eggleston e Camille Silvy fazem parte do acervo.

Para fazer o download é preciso  clicar sobre o título da imagem e depois sobre a seta com a opção download. O Museu Getty solicitará duas informações sobre o tipo de uso que será feito da imagem, marque as opções correspondentes e o download será liberado. Todas as fotografias estão disponíveis em alta resolução, variando de 20 a 100 megabytes.

Clique no link para acessar:  Museu Getty disponibiliza 4700 fotografias artísticas e históricas de alta resolução para download gratuito

Vídeo

Van Gogh e o elogio a loucura

Carolina Carmini

Apesar de fazer parte de uma nova categoria de artista que surgiu no século XIX, o louco solitário, Van Gogh não foi o único. As mudanças do século XIX resultaram em uma nova perspectiva do indivíduo em relação à sociedade. Para os artistas os novos tempos resultaram em percepção desesperadora e vazia da realidade, onde o que anteriormente era concreto e absoluto desmoronou. Deus morreu, a esperança no homem esmorece, a razão domina e tudo o que resta, para o indivíduo artista é o mundo dos sentimentos, o mundo da expressão.

© Vincent Van Gogh, "Restaurante De la Sirene em Asnieres", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Restaurante De la Sirene em Asnieres”, (Wikicommons).

“O que sou eu aos olhos da maioria das pessoas? Uma não entidade, ou um homem excêntrico e desagradável – alguém que não tem e nunca terá posição na vida, em suma, o menor dos menores. Muito bem, mesmo que isso fosse verdade, devo querer que o meu trabalho mostre o que vai no coração de um homem excêntrico e desse joão-ninguém.” –Carta de Vincent ao irmão Théo (21 de julho de 1882). Pelo trecho da carta destinada ao irmão fica claro que Vincent van Gogh se sentia deslocado na sociedade e tinha necessidade de inserir-se de alguma forma nela.

© Vincent Van Gogh, "Girassóis", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Girassóis”, (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, "Cabanas de colmo", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Cabanas de colmo”, (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, "Pasto em flor", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Pasto em flor”, (Wikicommons).

Os felizes proprietários de “van goghs” fazem discursos decorados sobre os motivos que o levaram a cortar sua orelha ou dados sobre sua vida, palavras colocadas de forma determinante a entender a obra e a vida do artista. Muitas foram as coisas que Vincent tentou fazer e em todas procurou adquirir conhecimento. Tudo o que tentou proporcionou uma experiência que o auxiliou mais tarde: vendedor de artigos de arte, professor e até mesmo pastor foram os caminhos que tentou trilhar e, no momento em que descobriu que a arte seria sua profissão, esperou ser reconhecido através desta tanto por sua família como pela sociedade.

© Vincent Van Gogh, "Pontes que atravessam o Sena em Asnieres", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Pontes que atravessam o Sena em Asnieres”, (Wikicommons).

O pintor holandês foi influenciado por Hals, Rembrandt, Seurat e pelo japonismo. Primogênito de uma família tradicional de origem calvinista, acabou por suicidar-se (teoria já posta em cheque na atualidade). Em sua busca por estabelecer-se na sociedade passou por diversas profissões: de pastor radical, fiel aos princípios da Bíblia, a pintor da natureza, amante do cachimbo, do absinto, das prostitutas. Deus foi substituído pela arte. Van Gogh assimilava em sua técnica as questões estéticas dos movimentos artísticos que surgiram no período, adaptando-os ao seu estilo. Suas investigaçõesartísticas resultaram em uma imensa obra que influenciou de forma profunda a arte do século XX.

Sempre ansiou por estabelecer relações pessoais duradouras com a família, amigos, com pessoas em seu entorno. Porém, apenas seu irmão Théo se manteve do seu lado ao longo de sua vida atribulada. De sua grande produção epistolar (cerca de 800 cartas), a primeira e a última foram destinadas ao irmão. Com ele mantinha uma relação intensa – com desentendimentos, apoio mútuo, grande intimidade. Muito mais que irmãos, Vincent e Théo eram complementares.

© Vincent Van Gogh, "Restaurante De la Sirene em Asnieres", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Restaurante De la Sirene em Asnieres”, (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, Auto-Retrato, (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, Auto-Retrato, (Wikicommons).

Meses antes da realização do retrato acima, em 1889, Vincent esteve mergulhado em meio uma crise de loucura, uma das muitas que se tornaram recorrentes após o conhecido episódio da orelha cortada, tão marcante para o reconhecimento do artista na cultura popular. Pouco conhecido pelo grande publico, esse foi um de seus últimos auto-retratos e também o único no qual o pintor se representou com sua orelha amputada. Além disso, o rosto apresenta aparência de cansaço. O retrato foi pintado em camadas grossas de tons cor de terra, não há cores fortes e vivas e há diferenças no uso da luz – como se o autor tivesse perdido suas esperanças. Esse retrato não tem mais o otimismo dos primeiros autos-retratos. Enfraquecido, com a barba por fazer, extenuado pela longa caminhada que se tornou sua existência, talvez esperasse apoio e atenção materna, que ansiava desde o começo das crises, mas que há muito não tinha. Encontrava-se perto do fim de sua trágica existência.

© Vincent Van Gogh, "Árvores num campo, em dia solarengo", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Árvores num campo, em dia solarengo”, (Wikicommons).

Entre os anos de 1880 e 1885, Vincent procurou desenvolver sua técnica. Como não tinha condições financeiras e nem vontade de entrar em uma academia, iniciou seus desenhos baseados em cópias de obras famosas e manuais de desenho que seu irmão lhe enviava. Théo indicou o jovem pintor Anton van Rappard, de quem Vincent ficou amigo, em Bruxelas. Vincent aprendeu com ele conceitos básicos de pintura, como a perspectiva. Apesar das insistências constantes de seus pais para que conseguisse um emprego estável, o jovem holandês dedicou-se a uma última empreitada: tornar-se pintor. Nos dez anos em que pintou, Van Gogh produziu cerca de 800 quadros, além dos desenhos e águas fortes.

© Vincent Van Gogh, "Ramos de castanheiros em flor", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Ramos de castanheiros em flor”, (Wikicommons).

Após a morte de Théo, a esposa deste, Johanna van Gogh, tornou-se detentora de toda a obra de seu cunhado Vincent. Em meio a esta herança, estavam a primeira carta escrita pelo pintor em 1875 e a última encontrada em seu bolso em 1890, no dia de seu suicídio, ambas destinadas a Théo. A jovem viúva e mãe administrava seu tempo entre o trabalho, os cuidados com o filho e a catalogação da obra plástica e escrita de seu cunhado. No inicio do século XIX, esses escritos pessoais que abarcavam os diários, as autobiografias e até mesmo biografias que faziam sucesso entre o público, criando um verdadeiro mercado de “vidas” que passaram a ser públicas, ganhou força principalmente pela crescente ideia de que o conhecimento sobre a vida do autor auxiliaria o entendimento da obra deste. Os próprios intelectuais valorizam sua produção guardando-a ou doando-a a instituições. Como médicos e alienistas acreditavam que escrever ajudava a tratar ou amenizar os distúrbios mentais dos indivíduos, preservavam toda essa produção de seus pacientes para estudos dos casos e/ou publicação deste material.

© Vincent Van Gogh, "Noite estrelada", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Noite estrelada”, (Wikicommons).

O diálogo travado entre Vincent e seu irmão Théo estava além do comunicativo; as cartas eram repletas de informações íntimas compartilhadas apenas com o irmão, incluindo seus medos e temores sobre o futuro devidoà progressão de sua doença. Algumas vezes, informações triviais sobre o dia-a-dia poderiam parecer banais, mas é nesse ato de escrever sobre si que o homem moderno se constróis e descobre quem é: através das linhas deixadas no papel, principalmente quando esse homem está num dado isolamento, conseqüência de seu afastamento da sociedade tradicional burguesa. Suas cartas revelam um homem e um artista que busca aceitação, mas não se enquadrava nos padrões do seu tempo e do seu meio. Um ser deslocado.

© Vincent Van Gogh, "Natureza morta de arenque defumado sobre papel amarelo", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Natureza morta de arenque defumado sobre papel amarelo”, (Wikicommons).

Toda a correspondência de Van Gogh é uma forma de auto-expressão, juntamente com suas obras. Quando não estava pintando freneticamente, Vincent escrevia. O conteúdo da correspondência de Van Gogh revela seu processo criativo. Vincent comentava como suas telas e cores iam surgindo, descrevendo-as e analisando-as. Ele enviava a Théo os esboços das obras que estava pintando, dando ricos detalhes sobre o tema e a origem da ideia e cores usadas. Através da extensa correspondência percebemos a recriação da realidade que Vincent realiza em suas obras, uma reorganização que transformava o que se via no que se sentia, através das cores. Por meio do ato de escrever para o irmão, o artista iniciava o processo de concretizar o que captava do mundo exterior. Era ali que os sentimentos de Vincent e a realidade que o cercava encontravam uma unicidade. Nas cartas é possível constatar como Vincent era detalhista e minucioso – é possível visualizar a produção de sua obra.

© Vincent Van Gogh, "Semeador", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Semeador”, (Wikicommons).

Nunca um artista deixou tanto material sobre seu processo criativo, sua perspectiva sobre o futuro e suas idéias sobre a arte quanto Van Gogh. Como vemos, não é um documento neutro. Permite compreender o artista deste período: o artista que não está nos meios acadêmicos, o indivíduo do século XIX, cada vez mais isolado em um mundo onde as relações interpessoais sofreram grandes transformações. Os conflitos constantes o fizeram se afastar cada vez mais da família e apegar-se a uma espiritualidade exarcebada, talvez sua última tentativa de aproximar-se do pai. Porém, o patriarca da família Van Gogh faleceu antes do fim dos conflitos e o pintor substituiu Deus pela natureza, que dominou suas telas a partir de Arles.

© Vincent Van Gogh, "Colheita em La Crau, ao fundo o Montmajour", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Colheita em La Crau, ao fundo o Montmajour”, (Wikicommons).

Contudo, a esperança nunca abandonou sua vida. Quando se mudou para Paris buscava conhecimentos, diálogos e mudanças. Encontrou um mundo em ebulição social, econômica e cultural. Em Arles buscava o mundo japonês que havia conhecido na cidade-luz e também construir uma comunidade de artistas que estivessem preocupados realmente com a arte. O oposto da comunidade de artistas que encontrou em Paris, mais preocupados com a vida boêmia regada a mulheres e álcool e que apenas discutia, sem realmente realizar algo. Como é sabido, seus planos falharam. Desde esse momento, a solidão tomou conta de sua vida de artista, ao mesmo tempo que sua arte se desenvolveu. Cores fortes e vivas, formas dinâmicas invadem seus quadros – e seus problemas de saúde mental também se desenvolvem.

© Vincent Van Gogh, "Três cabanas brancas em Saintes Maries", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Três cabanas brancas em Saintes Maries”, (Wikicommons).

O final da história é conhecido por todos. Alguns consideram o suicídio do artista seu último grito de loucura, outros o encaram como uma tentativa final de se tornar um mártir da arte em uma vida que há muito já se caracterizava pela abnegação. De uma maneira própria, Vincent Van Gogh era um artista ligado a seu tempo e percebeu os indícios de mudanças que outros indivíduos da sociedade apenas acompanhavam. Tradição e modernidade estão presentes em sua vida pessoal e em suas obras: a solidão do homem que buscou atender suas necessidades próprias, assim como a necessidade de sentir-se inserido em algum lugar na sociedade.

© Vincent Van Gogh, "Paisagem sob um céu de tempestade", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Paisagem sob um céu de tempestade”, (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, "Rua da aldeia e escadas em Auvers", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Rua da aldeia e escadas em Auvers”, (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, "Casas em Auvers", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Casas em Auvers”, (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, "Cabanas de colmo em Cordville", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Cabanas de colmo em Cordville”, (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, "Planície perto de Auvers", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Planície perto de Auvers”, (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, "Feixes de trigo", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Feixes de trigo”, (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, "Árvores perto da Estação de Arles", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Árvores perto da Estação de Arles”, (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, "Árvores de damascos em flor", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Árvores de damascos em flor”, (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, "Ponte Gleize sobre o Canal de Vigueirat", (Wikicommons).

© Vincent Van Gogh, “Ponte Gleize sobre o Canal de Vigueirat”, (Wikicommons).

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Assisto especial “Os Impressionistas

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Também, com riquíssimo conteúdo, dois especiais da BBC de Londres :

BBC Vang Gogh : Pintando com palavras (2010)

O Poder da Arte

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Consulte também, na biblioteca da Escola de Belas Artes, alguns livros sobre este artista!

HARRIS, Nathaniel.; GOGH, Vincent van. A arte de Van Gogh.. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1982. 80p.

HULSKER, Jan. The complete Van Gogh : paintings. Drawings. Sketches. New York, USA: Harrison House/Harry N. Abrams, 1984. 498p.

GOGH, Vincent van; MARCUSSI, Garibaldo. Figure di Van Gogh. [S.l.]: Studio Editoriale D’arte Perna, c1965. [4] p; 16 pranchas (Le Meraviglie del Collezionista; v.2)

ARTAUD, Antonin; GULLAR, Ferreira. Van Gogh: O suicida da sociedade. 2 ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 2007. 101p.

SPENCE, David. Van Gogh: arte & emoção. São Paulo: Melhoramentos, 1998. 31 p. (Grandes artistas)

CABANNE, Pierre. Van Gogh.. [Lisboa]: Verbo, 1971. 301p. (Grandes Artistas)

STONE, Irving. A vida tragica de Van Gogh. Lisboa: Livros do Brasil, c[19-]. 476p. (Coleção Dois Mundos)

PERRUCHOT, Henri. La vie de Vincent Van Gogh. Paris: Hachette, c1957. 394p.

MEIER-GRAEFE, Julius. Vincent Van Gogh : la novela de un buscador de Dios. Buenos Aires: Poseidon, 1945 441p.

WALTHER, Ingo F; GOGH, Vincent van; METZGER, Rainer. Vincent van Gogh : the complete paintings. Koln; Benedikkt Taschen, c1993. 2v.

METZGER, Rainer. Vincent van Gogh: 1830-1890. Köln: Taschen, c2008. 256 p.

Descobertas as verdadeiras cores de Van Gogh

Novas pesquisas do Museu Van Gogh apontam que despigmentação pode ter alterado cores de alguns dos quadros mais famosos do pintor.

 Descoberta: quais as verdadeiras cores de Van Gogh?

A imagem do quadro O Quarto, de Vincent Van Gogh, é uma que os apaixonados por arte sabem de cor: a cama amarelada contrastando com as paredes azuis e tristes.

Aparentemente, porém, essa não era a aparência original da obra, nem a forma como Van Gogh a concebeu. Um estudo de oito anos sendo conduzido pelo Museu Van Gogh, em parceria com a Agência Holandesa de Patrimônio Cultural e a Shell (sim, do petróleo) está provando que nem todos os mitos sobre o pintor são reais.

 Descoberta: quais as verdadeiras cores de Van Gogh?

Assim como quando o suicídio de Van Gogh foi questionado, fica enfraquecida a imagem de pintor desequilibrado, impulsivo, que simplesmente jogava tinta às pressas na tela para criar suas poderosas imagens.

Utilizando um raio-X fluorescente e um microscópio de elétrons, os pesquisadores conseguiram ver as linhas-guias e esboços que o artista traçava antes de começar a pintar. Ficou claro que ele fazia um uso minucioso de técnicas de perspectiva e profundidade, e tinha grande preocupação com as proporções dos objetos.

Em outras palavras, Van Gogh era um artista muito mais metódico do que a imagem popular faz acreditar, e ele compunha seus quadros com cuidado e de forma bastante consciente.

O que mais muda, porém, é o uso de cores nos quadros de Van Gogh.

O vermelho sumiu

Uma descoberta surpreendente do estudo diz respeito às mudanças nas cores dos quadros, que podem ter sofrido com a degradação de alguns pigmentos.

Na virada do século XX, época de Van Gogh, estava apenas começando a venda de pigmentos prontos (até então, os artistas misturavam seus materiais todos no estúdio). O problema é que a indústria incipiente ainda não sabia como esses pigmentos se comportariam com o passar dos meses e dos anos.

Resultado: alguns tons – no caso de Van Gogh, notadamente os tons de vermelho – foram sumindo.

Assim, no caso do famoso quadro O quartoo artista teria originalmente pintado as paredes de um tom violeta. Conforme o pigmento vermelho foi sumindo, sobrou apenas o azul que foi misturado para originar o tom.

van gogh mudanca02 Descoberta: quais as verdadeiras cores de Van Gogh?

O mais interessante é que a mudança de cor alterou totalmente a atmosfera da obra. A combinação de amarelo com lilás é mais suave, dando uma sensação mais acolhedora ao ambiente.

“[A combinação de cores original] não é tão contrastante quanto a que conhecemos”, explica Marije Vallekoop, chefe de pesquisa e apresentação do Museu Van Gogh. “Era algo que ele queria expressar na pintura – tranquilidade e relaxamento”.

Outras obras também tiveram mudanças curiosas. Algumas pinturas de flores, frutos e árvores, por exemplo, mudaram totalmente: botões de flor que eram cor de rosa viraram brancos, levando pesquisadores a acreditarem que eram outras espécies de plantas.

FalaCultura. c2013.                                                                                               Disponível em: <http://falacultura.com/2013/07/01/cores-van-gogh/>. Acesso em: 2 jul. 2013.

Eduardo Relero: a ilusão nas ruas da cidade

Marisa Antunes

Eduardo Relero é, actualmente, um dos principais nomes da arte urbana: das suas mãos e imaginação nascem os esboços das figuras anamórficas que ganham e dão vida às superfícies mais improváveis: pavimentos e ruas.

A anamorfose é a representação de figuras que, quando observadas frontalmente parecem distorcidas ou indecifráveis, tornando-se perceptíveis quando vistas de um ângulo específico.

Eduardo começou a pintar retratos aos 21 anos, no seu país de origem: a Argentina. Depois viajou durante algum tempo: Peru, Chile e Argentina – sempre sem deixar de desenhar e pintar. Em 1990, quis visitar Roma e ver de perto a arte que sempre admirou. Foi lá que teve contacto com artistas que decoravam as ruas com desenhos copiados dos grandes clássicos: os “Madonnari”. De regresso à Argentina, estudou Belas Artes, filosofia e arquitectura porque não acreditava que pudesse desenvolver o seu trabalho apenas com as pinturas de rua.

Criou um blog, mudou-se para Sevilha e começou a decorar os pavimentos espanhóis, quase sempre sem licença – que é quase impossível de obter na Europa. Com estes desenhos foi alimentando o seu blog e, a partir daí, tudo foi acontecendo naturalmente.

Eduardo aprendeu sozinho a desenhar a três dimensões, socorrendo-se das suas noções de geometria e dos seus conhecimentos de arquitectura. Gosta de dar um toque satírico e critico às suas representações. As suas figuras humanas têm, geralmente, um tom dramático.

Utiliza pigmentos secos, água e um pouco de cola e, de vez em quando, dá-lhes um toque de pastel. Os seus desenhos têm 4×8 metros e os maiores chegam a atingir os 12 metros. Normalmente, demoram cerca de dois dias e meio a três dia a concluir, consoante a complexidade. Eduardo faz esboços previamente e, uma vez iniciado o desenho no pavimento, está sujeito à imprevisibilidade das condições atmosféricas. Confessa que ainda se sente bastante o peso do estereótipo de que um artista ambulante é, geralmente, um pedinte. Estar a trabalhar na rua é estar exposto a todo o tipo de pessoas: Eduardo aponta como maior dificuldade a distracção causada pelos curiosos que param para observar, falar e opinar sobre o trabalho.

Confessa que o carácter efémero das suas obras não o preocupa: nada se compara à sensação de libertação que advém da materialização das suas ideias. Conheça-as melhor no site de Eduardo Relero.

Sobre a autora: marisa antunes apaixona-se por tudo e pelos nadas e passa a vida a sonhar acordada. Tem uma assumida tentação pelo abismo e pelas quedas livres – sem rede – e acredita que tudo é possível.